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Marketing Digital

Como escolher palavras-chave para seu site de serviços

Você não precisa de ferramenta paga para encontrar as palavras certas. Precisa entender o que seu cliente digita quando está pronto para contratar.

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Se você presta serviço e quer aparecer no Google, provavelmente já pesquisou sobre SEO. E provavelmente esbarrou em recomendações de ferramentas pagas, tutoriais complexos e métricas que parecem exigir um analista dedicado.

A boa notícia: para a maioria dos sites de serviço, especialmente os que atendem uma região específica, o processo pode ser mais simples. O que importa não é encontrar a palavra com maior volume de busca. É encontrar a palavra que o cliente digita quando está pronto para contratar.

O erro mais comum: mirar em volume

Ferramentas de keyword research mostram volume de busca mensal. É tentador olhar para esse número e pensar: “quanto maior, melhor”. Mas volume alto geralmente significa duas coisas: concorrência alta e intenção vaga.

Pense em alguém que busca “marketing digital”. Pode ser um estudante fazendo trabalho de faculdade, um profissional pesquisando carreira, ou alguém querendo entender o conceito. A chance de essa pessoa estar pronta para contratar um serviço é baixa.

Agora pense em alguém que busca “agência de marketing digital para clínicas em São Paulo”. A intenção é outra. Essa pessoa sabe o que quer, sabe o segmento e está buscando quem pode resolver.

Como identificar intenção de compra

A intenção de uma busca aparece nas palavras que a compõem. Existem padrões que indicam que a pessoa está mais perto de contratar.

Indicadores de intenção de compra:

  • Presença de localização: “advogado trabalhista em Campinas”
  • Palavras como “contratar”, “orçamento”, “preço”, “quanto custa”
  • Especificidade do problema: “empresa de TI para migração de servidor”
  • Comparativos: “melhor contador para MEI”
  • Urgência implícita: “desentupidora 24 horas”

Indicadores de intenção informacional (mais distante da compra):

  • Perguntas conceituais: “o que é marketing de conteúdo”
  • Buscas genéricas: “tipos de contabilidade”
  • Tutoriais: “como fazer SEO”

Isso não significa que conteúdo informacional seja inútil. Ele tem seu papel. Mas se você está começando e precisa priorizar, as páginas de serviço devem mirar em palavras com intenção de compra. O conteúdo informacional vem depois, para alimentar o topo do funil.

O método sem ferramenta paga

Você pode fazer keyword research funcional usando apenas recursos gratuitos. O processo tem três etapas.

1. Liste os serviços que você oferece

Parece óbvio, mas muita empresa pula essa etapa. Escreva cada serviço de forma específica, não genérica.

Em vez de “consultoria de marketing”, liste:

  • Consultoria de marketing para e-commerce
  • Consultoria de marketing para escolas
  • Consultoria de tráfego pago

Em vez de “serviços de TI”, liste:

  • Suporte de TI para escritórios
  • Manutenção de servidores
  • Migração para nuvem

Cada item dessa lista pode virar uma página ou seção do site, otimizada para uma busca específica.

2. Adicione a camada de localização

Se você atende uma região específica, a localização é parte da palavra-chave. Isso é especialmente verdade para serviços que exigem presença física ou atendimento local.

Combine seus serviços com:

  • Nome da cidade
  • Nome do bairro (para cidades grandes)
  • Nome da região (ABC Paulista, Grande Florianópolis)
  • “perto de mim” ou “na minha região” (o Google entende o contexto)

Exemplo: “contabilidade para MEI em Santo André” é mais qualificada que “contabilidade para MEI”.

3. Valide com o Google

Abra uma aba anônima do navegador e digite suas combinações no Google. Observe:

  • Autocompletar: o que o Google sugere enquanto você digita? Essas sugestões refletem buscas reais.
  • Pesquisas relacionadas: no final da página de resultados, o Google mostra termos relacionados. Anote os que fazem sentido.
  • Quem aparece nos resultados: se aparecem concorrentes diretos, é sinal de que a palavra tem relevância comercial. Se aparecem apenas artigos informativos, a intenção pode ser outra.
  • Listei meus serviços de forma específica, não genérica?
  • Combinei cada serviço com a localização que atendo?
  • Verifiquei o autocompletar do Google para cada combinação?
  • Anotei as pesquisas relacionadas que fazem sentido?
  • Observei se concorrentes diretos aparecem nos resultados?

Ferramentas gratuitas que ajudam

Além do próprio Google, existem recursos gratuitos que complementam a pesquisa.

Google Trends: mostra a evolução de interesse em um termo ao longo do tempo. Útil para comparar duas variações de uma mesma busca (ex: “nutricionista online” vs “consulta com nutricionista online”) e ver qual tem mais tração.

Ubersuggest (versão gratuita): oferece sugestões de palavras-chave e uma estimativa de volume e dificuldade. A versão gratuita tem limite de buscas diárias, mas funciona para pesquisas pontuais.

Answer the Public: mostra perguntas que as pessoas fazem sobre um tema. Mais útil para conteúdo informacional do que para páginas de serviço, mas pode revelar dúvidas comuns do seu público.

Google Search Console: se você já tem um site no ar, o Search Console mostra quais buscas estão levando pessoas até você. Às vezes, você descobre palavras que nem tinha considerado.

Como organizar as palavras no site

Depois de montar sua lista, o próximo passo é decidir onde cada palavra entra.

Estrutura confusa

  • Uma página única com todos os serviços
  • Palavras-chave misturadas no texto
  • Localização mencionada só no rodapé
  • Títulos genéricos

Estrutura organizada

  • Uma página para cada serviço principal
  • Cada página focada em uma palavra-chave
  • Localização no título e no conteúdo
  • Títulos específicos e descritivos

A lógica é simples: cada página deve responder a uma intenção de busca. Se você oferece três serviços principais em duas cidades, pode fazer sentido ter seis páginas, não uma.

Isso não significa criar páginas rasas só para preencher palavras-chave. Cada página precisa ter conteúdo real: o que o serviço resolve, como funciona, para quem é indicado, e um caminho claro para o visitante entrar em contato.

O que vem depois da escolha

Escolher a palavra-chave é o primeiro passo. O que determina se ela vai gerar resultado é a página que você constrói em torno dela.

Uma página bem estruturada para uma busca de serviço local deve ter:

  • Título claro com o serviço e a localização
  • Descrição do problema que o serviço resolve
  • Como o serviço funciona na prática
  • Diferencial ou abordagem específica (se houver)
  • Prova social, quando disponível
  • Caminho óbvio para conversão (formulário, WhatsApp, telefone)

SEO técnico importa, mas para a maioria dos sites de serviço, o gargalo não está na técnica. Está na clareza. O visitante que chega pela busca precisa entender em segundos se encontrou o que procurava.

Retrato de Raphael Pereira

Autor

Raphael Pereira

Designer e estrategista focado em experiências digitais orientadas por performance.

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